publicado por VTULESKI - Vanessa Tuleski
Este é o terceiro e último artigo (veja o primeiro e o segundo) a respeito do tema de porque o astrólogo é tão solicitado a fazer atendimentos gratuitos. Já expusemos várias razões, como, por exemplo, o desconhecimento da astrologia (o que leva a subvalorizá-la, e, com isto, a não se querer remunerar um trabalho astrológico), a visão do astrólogo não como um profissional, etc. Há porém, uma última explicação que talvez merecesse mais um artigo.
Não são poucas as vezes que os astrólogos recebem mensagens criticando a sua atitude materialista (ou dinheirista, conforme se expressam alguns) de cobrar por um trabalho que seria um dom de Deus.
Tal suposição tem origem, em primeiro lugar, no já citado desconhecimento da astrologia. A astrologia é um estudo. É preciso ler, aprender, assimilar, praticar, observar. Ela passa pelo cérebro, e não apenas por dons intuitivos que se manifestam espontaneamente. É preciso saber ler um mapa, e, ao contrário do que normalmente se imagina, leva-se tempo para se desenvolver um mínimo de segurança ao fazer isto. Em segundo lugar, em se tratando de dom, entrando-se na esfera religiosa, é uma visão preconceituosa achar que somente os chamados dons intuitivos (dentre os quais a astrologia é erroneamente enquadradada) são dons de Deus. A própria expressão dom de Deus já é quivocada, pois dom é algo que teria nos sido dado, e, sob esta perspectiva, somente Deus poderia dar dons. Neste caso, todo dom é um presente divino e não pode haver diferença entre os dons melhores, piores, divinos ou não divinos. Assim, tanto o ótimo cirurgião como o ótimo vendedor ou atleta tem dons para aquilo que fazem. Dom nenhum, porém, se desenvolve sozinho. Quem tem uma bela voz tem de aprender a cantar com afinação, por exemplo, e também a respirar corretamente. Mesmo as pessoas intuitivas treinam a intuição.
A segunda causa desta afirmação é baseada também em algo que já foi comentado no segundo artigo sobre a cobrança de consultas, que é a visão de que qualquer profissão que envolva ajuda ser confundida com auxílio religioso, o qual é mantido por doações. Não há gratuidade nesta ajuda, simplesmente porque ninguém pode ajudar, dispondo da maior parte do seu tempo e energia, sem ser sustentado. Na realidade, não há gratuidade em nada, e é disso que trata este artigo: o universo é feito de trocas. Nada no universo funciona sem a sua contrapartida. Portanto, quando se acusa um astrólogo, um numerólogo, um tarólogo de cobrarem por seu trabalho não se está entendendo como o mundo funciona. Está se pedindo algo impossível, que é que haja doação sem recebimento. Como alguém pode se dedicar a qualquer profissão – da mais braçal a mais espiritual- se não obtiver sustento dela caso não conte com outra fonte financeira? Algo que apenas se doa acaba por se exaurir e se arruinar. Passe anos amando alguém sem ser correspondido e sua alma ficará em farrapos. Seu eu pode heroicamente achar que suporta isto, mas dentro de você haverá uma erosão da qual você irá se dar conta um dia.
A troca é o movimento mais natural do universo. A troca pertence aos assuntos ligados ao signo de Libra, que é o mesmo signo que representa o outro, entendendo-se o outro como o que quer que seja que não a si mesmo. Assim, em um sentido mais amplo, se só existem você e a natureza, a natureza será o outro. Ali irá se estabelecer uma troca mesmo que não haja qualquer pacto a respeito disso. A troca é o mecanismo que faz com que nada fique separado no universo. Em outras palavras, a troca é o que permite que o universo seja uma coisa só, integrada. Ela faz que uma pedra e um ser humano tenham algo em comum tanto quanto uma mosca e uma estrela, porque ela coloca uma partícula de cada coisa em outra. Assim, quando duas coisas DIFERENTES passam a conviver, inicia-se automaticamente o processo de troca, não para que elas se tornem iguais, mas para que uma passe a existir na outra.
Para entender a universalidade da troca, imagine que um homem sozinho com a natureza possa, em sua pequena área, queimar plantas, matar a esmo animais e, com isto, estar estabelecendo uma troca desigual com natureza que o alimenta. Um dia, porém, seu corpo servirá para alimentá-la. Tudo envolve uma troca. Este homem não está separado da natureza como imagina. E se for capaz de fazer um estrago bem grande, matará a natureza tanto quanto a si mesmo. Mas isto, é claro, é apenas uma hipótese, pois o homem não seria tão tolo, seria?
A troca é um processo permanentemente acontecendo. Estamos sempre barganhando com tudo ao nosso redor, e isto é tão natural que raramente estamos conscientes disso. Por exemplo, se convido um amigo para almoçar por minha conta posso estar pagando o almoço, mas espero em troca uma boa companhia, o preenchimento das minhas horas de forma agradável. Quando auxilio um amigo, tenho em troca sua lealdade. E mais do que isto: se meu amigo se sentiu ajudado uma parte que pertencia a mim passa a estar nele, pois ele fez uso dela! O prazer que isto pode proporcionar compensa a ajuda que eu dei.
As relações familiares e afetivas são de troca intensa, porque nelas o pacto vai mais a fundo. Ter relações afetivas e familiares se compara a você saber que se tiver de saltar de um edifício em chamas haverá uma rede lá embaixo. Assustado com a imagem? Certo, ela parece um tanto forte, mas o que se extrai dela é a percepção de quanto de suporte pode-se obter em relações íntimas, que envolvem trocas mais profundas. Mas como tudo tem a sua contrapartida, da mesma forma que você sabe que pode contar com isto, você também sabe que quando for a vez do outro de precisar de você, é você quem terá de estar lá embaixo providenciando a tal rede. Se não houver esta disposição da sua parte, este entendimento de que há uma troca em curso, e você falhar seguidas vezes em situações críticas, nem mesmo alguém com o seu sangue permanecerá ao seu lado, pois você será considerado absolutamente egoísta e insensível. Esta situação, infelizmente, não é tão hipotética assim. É isto o que acontece no caso de pessoas viciadas que passam a agredir e saquear sua família, por exemplo. A relação de espoliação é tão cruel que só pode acabar em destruição emocional e financeira ou corte do vínculo.
Discorrendo deste modo, a troca pode parecer algo frio, como se sempre houvesse um interesse em jogo, mas a troca é simplesmente natural. Damos e recebemos. Saímos de nós e obtemos algo fora de nós. Não há frieza nisso, isto é vida. A vida não é estática. Ao invés da palavra troca podemos usar a palavra relacionamento, também pertencente ao vocabulário de Libra. Troca e relacionamento são a mesma coisa. Em qualquer relação há algum tipo de troca. Só não podemos trocar nada é no isolamento.
A troca tem uma função de tornar qualquer indivíduo expandido. Assim, por exemplo, se conto com relações significativas em minha vida, eu tenho sempre mais que a mim mesmo. Se você quiser entender isto graficamente, procure se lembrar daqueles balõezinhos que a professora desenhava quando você era criança, sobrepondo um ao outro e dizendo que ali, onde os dois se encontravam e se interpentravam, havia uma interseção, que a professora pintava com uma cor diferente. Esta é uma bela maneira de representar graficamente o que é uma troca: se somos indivíduos que trocam, nunca somos só um, somos sempre um pouco mais do que um. O grande problema é quando nos recusamos a trocar. Quando queremos só tomar, e não dar. Aí a coisa não funciona. Simbolicamente, ao invés de dois balõezinhos unidos, temos um balão tomando o lugar do outro a ponto de parecer estar sozinho no papel mas não estar, pois o outro balão está atrás. Não há troca nisso. Há eclipsação!
Trocas ocorrem de mil variadas maneiras. O importante é se perceber que há sempre uma troca envolvida. Não é raro que troquemos algo que fazemos por uma idéia que queremos ter de nós mesmos ou por uma habilidade que desejamos adquirir. Neste sentido, até mesmo os santos fazem troca. Quando ajudam um doente moribundo estão retirando da experiência algo para si mesmos. Podem estar se elevando, se aperfeiçoando ou tendo uma alegria interior indescritível, mas há sempre algo que está sendo obtido em troca, mesmo que isto não pareça evidente.
Assim, não faz absolutamente nenhum sentido acusar alguém que trabalha com astrologia por cobrar pelo seu dom. Todos cobram por seus dons, de uma maneira ou outra. Se, por exemplo, eu toco muito bem um instrumento, eu posso tocá-lo apenas para ver você sorrir ou apreciar a minha música. Ou posso ficar milionário vendendo CDs pelo mundo afora.
Nestas mensagens criticando o astrólogo por cobrar por um dom de Deus costuma haver, também, um preconceito muito forte contra o dinheiro. Fica implícito que o dinheiro é sujo e amesquinha as pessoas. Esquece-se que o dinheiro é algo neutro. Não é o dinheiro que amesquinha: são as pessoas que já são mesquinhas e vão ser tanto com dinheiro como com qualquer outra coisa. Um ser mesquinho chantageia, manipula, e pode fazer isto de tantas maneiras que o dinheiro passa a ser apenas uma delas. Segundo esta visão de que o dinheiro é sujo, quem cobra dinheiro (e não outra coisa, como um muito obrigado) é uma pessoa doente, maldosa ou vazia. Isto só mostra uma profunda ignorância sobre a idéia de troca, pois o dinheiro é uma das mais eficientes formas de troca, porque é neutro e com isto facilita para que o intercâmbio ocorra. Antes do dinheiro, a troca podia não ocorrer porque um não tinha o que realmente seria útil para o outro. O dinheiro torna a troca mais fácil, mais transparente e também tem uma medida mais fracionada, exata. É um fino instrumento de precisão para trocas. Antes do dinheiro, a troca podia ser desigual. Digamos que eu quisesse trocar algo por um animal e você tivesse um mais velho e outro jovem e saudável, e nenhum dos dois fosse a troca justa, nem para você, nem para mim. O dinheiro permitiu que a troca pudesse ser estabelecida no valor exato. Portanto, deveríamos olhá-lo com menos preconceito.
Já dissemos que a troca pertence ao âmbito de Libra, que é o signo que rege o outro, e, igualmente, o equilíbrio. Trocas sem equilíbrio levam ao empobrecimento, e, não raro, ao aniquilamento. Por exemplo, quando muitas pessoas visitam um lugar considerado sagrado, e não há uma vigília capaz de assegurar que as pessoas levem algo de lá, um dia o lugar pode simplesmente deixar de existir. Cada pessoa que leva uma lembrança está empobrecendo o local. A troca desigual é, portanto, uma forma de destruição. Por isto não devemos aceitar trocas desiguais. Estabelecer o que queremos para darmos algo em troca é vital para que nos preservemos. E saber até onde solicitar do outro também é uma forma de preservá-lo. Quem tem uma noção sofisticada de troca, da necessidade dela, tem também uma noção mais clara de preservação: de auto-preservação e de preservação do outro. Libra, que é o signo da troca, compartilha seu regente com Touro, que é o signo da preservação, da manutenção, da continuidade.
Por outro lado, uma baixa noção do que é troca é quando se tenta tomar algo sem nenhum respeito ao outro. Está cheio de gente no mundo que tenta tomar compreensão, paciência, tempo e até mesmo dinheiro. E muitas destas pessoas que pedem consultas gratuitas podem pagar por elas e estão querendo tomar tempo e dinheiro (o que deixa de ser pago) do profissional. E não raro até paciência e boa vontade, como é o caso de quem pede orientações e sequer reflete sobre o que foi dito, em um flagrante comportamento de exploração que talvez esteja muito bem disfarçado por detrás de uma máscara de vítima. Pessoas assim provavelmente não vivem em um mundo de trocas, e sim, em um mundo de coisas que são tomadas: elas se deixam roubarem tanto quanto roubam os outros. A diferença entre o roubo e a troca é que na segunda ninguém se sente lesado e no primeiro é tudo aleatório, exploratório, irreflexivo.
É por isto que ao signo da troca, Libra, está oposto Áries. Áries representa o defensor dentro de nós. Se achamos que alguma troca é injusta, precisamos nos manifestar. Áries e Libra estão opostos porque representam características diferentes que precisam ser desenvolvidas: tenho de ser bom de troca (Libra), mas também capaz de perceber quando um determinado tipo de troca não me interessa ou implica em débito para mim mais do que em crédito. Eu preciso aprender a cuidar de mim mesmo. Áries representa de que só quem pode determinar se uma troca é boa ou não sou eu mesmo, porque eu sinto o resultado em mim. E nós sempre sabemos quando a balança está desequilibrada. É preciso coragem (Áries) para recusarmos as propostas que já não impliquem em troca para nós. O ideal seria que fôssemos capazes de ir podando aquilo que acarretasse muito mais débito do que crédito, pois quando mantemos isto na nossa vida acabamos nos empobrecendo. Mas são raras as pessoas capazes de fazer este tipo de limpeza, pois a sociedade nos impõe uma série de comportamentos que incentivam a troca injusta. Quer troca mais injusta do que aquela que no passado dizia que mesmo infeliz você tinha de continuar em um casamento porque pessoas honradas não se separam? O tal conceito de que quem cobra por consultas são pessoas dinheiristas encaixa-se bem nisso, pois trata-se de um falso moralismo que mistura religião e tenta desmerecer o valor de um trabalho e a legítima troca dele por dinheiro.
Áries em oposição a Libra diz que temos o direito a escolhermos pelo que queremos trocar algo, e não há quem conheça mais nossas necessidades do que nós mesmos. Assim, por exemplo, se eu peço dinheiro por algo alguma razão eu tenho, e isto precisa ser respeitado. Se o outro não concordar, a troca não é estabelecida, mas não faz sentido criticar o meio pelo qual alguém escolhe trocar algo. Isto é pura imposição de conceitos, ou melhor, preconceitos. Cada um tem o direito de escolher o que e como quer trocar. Encaixaria bem nisto, por exemplo, a prostituição, que é algo muito mal visto, mas na prostituição há sempre duas pessoas que acham que o acordo é satisfatório, e por isto a troca é estabelecida. Se elas estão satisfeitas, ninguém tem a ver com isto, por mais chocante que esta afirmação pareça ser.
Assim, ninguém tem o direito de determinar a outrem o que se deve ou não trocar, se é justo cobrar por algo ou não, pois quem não achar justo simplesmente não entra na troca. Mas se quer receber algo, avalie se aceita os termos da troca e diga sim ou não, apenas isto. Cada um é soberano para estabelecer a forma como quer receber por algo que dá, e, igualmente, o que quer dar pelo que vai receber. Cada um sabe a medida das suas necessidades. E nossas necessidades são variadas, com proporções variadas, também. Por exemplo, a vida produtiva das pessoas necessariamente ocupa mais tempo do que aquele que elas podem se dedicar a um trabalho voluntário. Um cirurgião plástico pode cobrar por 85% das cirurgias que realiza e fazer 15% delas gratuitamente em um hospital público. Isto, em última instância, é uma escolha pessoal, na qual ninguém pode interferir, pois as trocas que eu escolho fazer revelam como eu construo a minha vida – e o que eu obtenho dela. O ideal é que eu estivesse profundamente ciente delas, para saber o que eu quero dar, como eu quero dar e o que eu preciso receber de volta. Uma pessoa mais plena estabelece uma grande variedade de trocas em sua vida. Há aquilo pelo que ela quer uma remuneração e há aquilo que ela faz porque lhe dá muito prazer. E o prazer é uma das mais poderosas formas de troca. Este artigo, por exemplo, está sendo escrito por prazer. Não preciso que nenhum editor pague por ele porque ele já está se pagando para mim só de eu ter algo para ser dito e as palavras fluírem para isto, e, igualmente, por eu saber que alguém irá gostar ou se beneficiar dele.
Como se vê, o dinheiro é apenas um dos fatores na imensa teia de trocas que é a vida. Seja mais aberto a idéia de trocar, entenda mais o que está sendo trocado na sua vida, ao mesmo tempo em que elimine da sua vida as trocas injustas, que consomem a sua energia, que gastam mais de você do que devolvem. A vida é muito preciosa para que você mantenha acordos ou estruturas que não lhe façam sentido. Tire o que está sobrando para que haja espaço para as trocas que o deixem feliz!
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Vanessa Tuleski tem 21 anos de estudo de astrologia, e 13 de atuação como astróloga profissional. Dá consultas astrológicas no Rio de Janeiro (Ipanema) ou através do Skype para outras cidades. Agende a sua consulta!
Foi uma das palestrantes do evento Presságios, no Rio de Janeiro, em novembro de 2009. Falou também no evento da Central Nacional de Astrologia realizado no Rio de Janeiro em junho de 2010.
Um livro de Vanessa Tuleski.
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É uma terapia energética-espiritual que visa transmutar conteúdos mentais, emocionais e de outras ordens que estejam causando obstruções no fluir da vida, gerando dificuldades afetivas, de saúde, profissionais, etc.
A principal característica deste trabalho é o uso do sexto sentido para acessar diretamente no inconsciente do cliente o que é que está gerando bloqueios ao livre fluir da energia. Onde a energia flui, atraímos as coisas boas, como amor, prosperidade, reconhecimento, etc.
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