O mito de Hades ou Plutão

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Escrito por Josylene Sousa

Plutão, o outro filho de Saturno, herdou o Mundo Subterrâneo dos mortos. Os Ciclopes deram-lhe um capacete que o tornava invisível, porque aquele que julga deve ser impenetrável, e Plutão julgava os mortos encaminhando-os para o Tártaro (onde iam os que tinham agido mal) ou para os Campos Elísios (onde iam os que seriam recompensados).

No inicio, o Reino de Hades era uma planície subterrânea, onde os mortos vagueavam e somente os que cometeram grandes delitos sofriam e os outros não tinham nenhuma vontade. Era uma espécie de limbo, à espera da reencarnação. Depois que os gregos se organizaram em sociedade é que fizeram a divisão entre o Tártaro e os Campos Elísios.

Plutão é um deus competente nas suas vinganças e maldições, na destruição e na morte. Entretanto, nada tem a ver com o demônio da civilização judaico-cristã. Os gregos não conheciam entidades malignas que estimulassem o pecado ou o sofrimento. Plutão é o aniquilador, mas também é o transformador. É ele quem faz as sementes se desenvolverem depois de plantadas no solo e é quem dá a produtividade e a abundância nos campos. É o deus das riquezas e dos tesouros escondidos. Vem daí a palavra ‘plutocracia’, que significa ‘o governo dos ricos’. Para pedirem a Hades ou Plutão a sua proteção nas colheitas, ou até seus bons conselhos, os homens batiam no solo com a mão ou com varas, e ofereciam ao deus bodes em sacrifício, exatamente como se faz nos rituais de candomblé.

Na mitologia grega, também havia um outro deus, chamado Pluto, filho de Ceres. Era um deus de riquezas e Zeus tirou-lhe a visão para que distribuísse as riquezas indiscriminadamente, sem levar em conta as particularidades das pessoas. Era representado como uma criança levada pela mão da Fortuna, ou como um velho de olhos vendados carregando uma bolsa. Foi relegado à categoria de deus secundário mais tarde, sendo que sua função foi incorporada por Hades/Plutão.

Na índia, Hades tem correspondência com Shiva, o destruidor. No Egito, Hades tem semelhança com Osíris, ressuscitado e glorificado por Ísis, um deus da fertilidade e dos mortos. Os faraós, ao morrerem, transformavam-se em Osíris e eram enterrados com seus ornamentos e a coroa. Foi Osíris fez o Livro dos Mortos, onde se ensina a mumificação dos corpos – o que na cultura egípcia representava a imortalidade e a ressurreição de Ká, a Alma. Era ele quem pesava as virtudes e defeitos de Ká, afim de determinar a vida na eternidade ou a morte em outra extinção.

Em todas as culturas, Hades ou Plutão está simbolizado como a transformação necessária e a sua íntima conexão com a fertilidade e os novos começos.

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