John Kennedy

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Nós, brasileiros, não podemos entender porque os americanos são tão obcecados por seu presidente morto. Talvez porque, em primeiro lugar, vejamos os nossos presidentes de um modo diferente dos americanos. Os nossos presidentes guiam nossa nação e os presidentes americanos são uma espécie de senhores do mundo. Começa-se, portanto, com uma importante diferença cultural. Além disso, para entender o fenômeno Kennedy talvez tivéssemos que compreender melhor a década em que ele morreu, que foi de grande agitação e muitos acontecimentos. Outro fator é que o presidente americano morreu assassinado, algo de fato muito chocante. Talvez o único paralelo a isso, no Brasil, tenha sido a morte de Tancredo Neves antes de assumir e o suicídio de Getúlio Vargas. Porém, mesmo levando-se em conta todos esses fatores, a verdade é que o americano médio vê seu presidente quase como um deus, que deve ser perfeito e de preferência não ter casos extraconjugais. Nós, brasileiros, sempre enxergamos a face humana (e por vezes não tão nobre) de nossos governantes.

Kennedy era geminiano. E, como todos os geminianos, nasceu com um potencial para a comunicação. O Sol de Kennedy estava na oitava casa, uma casa política, e é sabido que seu pai (simbolizado pelo Sol) foi um homem poderoso e influente. Kennedy tinha facilidade em utilizar a comunicação (Gêmeos) e influenciar as pessoas (oitava casa).

O Sol faz um sextil com Netuno, planeta do carisma e do idealismo, e ambos os traços estavam embutidos em sua personalidade. Netuno ocupa o Meio-do-Céu, equivalente a sua imagem pública. Ele tinha uma imagem pública de carisma, mas, igualmente, as pessoas não sabiam quem ele era e pairam muitas dúvidas até hoje. Prova disso são as versões a respeito dos motivos de ter sido assassinado, extremamente prolíficas e variadas. Fora o sextil do Sol, Netuno não recebe mais nenhum aspecto, o que talvez explique o porquê do mistério persistente em torno da sua figura. Não cremos que esse mistério seja resolvido um dia, não ao menos com toda a certeza.

A Lua de Kennedy está no signo de Virgem. Essa é a face meticulosa, perfeccionista e detalhista de Kennedy, que talvez poucos conheçam. A Lua está colocada na décima primeira casa, do coletivo, e também na casa dos grupos. A Lua no realista Virgem vai indicar uma capacidade de lidar de forma intuitiva (Lua) tanto com os grupos políticos como com o coletivo. Perante o coletivo, Kennedy passava uma imagem de quem se preocupava com coisas do povo (Virgem), como saúde, trabalho, etc.

A Lua na casa onze pode indicar que o se sentir à vontade com grupos Kennedy herdou da mãe. A colocação da Lua em Virgem sugere a mãe como uma mulher prática, realista. Ela talvez fosse uma mulher de ação mais do que o marido, ao menos no universo familiar, porque Marte, planeta da energia e da ação, está em contato com essa Lua, que simboliza a mãe, e, mais do que isso, as outras mulheres de sua vida, como Jackeline, também uma mulher forte e discreta. A Lua na décima primeira casa talvez explique a popularidade de Jackeline. Evidentemente, o próprio mapa dela também conta essa história, mas fica claro que Kennedy preferia se associar a uma mulher que desejasse cumprir uma função pública.

A Lua também faz trígono com Júpiter, indicando uma mulher ambiciosa e também o próprio lado de Kennedy que desejava expansão e experimentar a vida. Kennedy tem três planetas em Touro. Embora um idealista por condição de seu Sol em Ar em sextil Netuno, era também uma pessoa prática e interessada em prazer, estabilidade e conforto. A Lua na casa onze regendo a dez, de sua atuação pública, sugere que ele cumpria uma função social (casa onze), mas no próprio mapa de Kennedy havia, também, o interesse pela manutenção de uma estabilidade. Talvez ele também tivesse uma visão de que determinadas transformações (estes planetas estão na casa oito, da transformação) pudessem garantir mais uma estabilidade do que manter as coisas iguais.

Nesses três planetas em Touro podemos encontrar a explicação porque seu discurso era tão bem recebido. Em primeiro lugar, com Mercúrio em trígono com a Lua, Kennedy sabia falar com o público, tocar as pessoas. Mercúrio está conjunto a Júpiter: seus discursos eram arrebatadores.  Porém, esses dois planetas estão em Touro, igualmente sólidos e realistas. Mercúrio está conjunto a Marte: Kennedy sabia responder com rapidez e perspicácia. Utilizava de uma agressividade passiva: era rápido e agressivo, mas não perdia a compostura. Esse traço ficou bastante claro em seu embate com Nixon, que perdeu a presidência por pequena diferença para Kennedy. Mercúrio também está em quadratura com Urano: ele podia fazer comentários inesperados e, muitas vezes, impulsivos.

Ainda no setor de sua imagem pública, o presidente americano tinha Saturno no Meio-do-Céu. Foi criado para ser responsável e para se destacar no que fizesse. Também passava uma impressão séria, somada ao carisma de Netuno nessa casa.

E no aspecto pessoal? A fama de paquerador e mulherengo veio em parte de seu Ascendente em Libra. Kennedy esforçava-se para ser agradável, sobretudo com o sexo oposto. Além disso, Vênus, regente do Ascendente, está em trígono com esse Ascendente, mais uma vez reforçando sua simpatia. Vênus está em Gêmeos: ele conquistava as pessoas com comentários espirituosos.

E seus famosos casos extraconjugais? Kennedy não parece ter tido conflitos éticos com esses casos. Vênus faz trígono com o livre Urano, situado na casa dos amores e casos extraconjugais. Ele procurava a excitação e a liberdade nesses casos. Isso é reforçado por Marte em quadratura com Urano: também correu alguns riscos em nome desses casos!

Marte é regente da sétima casa, sua esposa Jackeline. Ela é representada como tendo um temperamento forte e obstinado (Marte em Touro), como sendo inteligente (Marte conjunto a Mercúrio) e ambiciosa (Marte conjunto a Júpiter). É possível que ela não tolerasse esses casos com resignação. Mas com tantos planetas na casa oito de Kennedy, tudo isto podia ficar oculto.

As pessoas com ênfase na casa oito têm um grande apreço por sua privacidade. Apesar disso, há muitos relatos da voracidade sexual de Kennedy. O mapa não descarta esta voracidade. Marte está no guloso Touro e faz conjunção com o exagerado Júpiter e estes planetas fazem quadratura com Urano: talvez Kennedy visse o sexo como uma grande e descompromissada diversão.

Não podemos deixar de falar sobre sua morte, já que é impossível lembrar de Kennedy sem associá-lo a esse acontecimento. A oitava casa é ocupada por quatro dos seis planetas astrológicos. Sua morte foi um evento muito comentado (Mercúrio), grandioso (Júpiter), que destacou sua figura e fez com que fosse lembrada para a posteridade (Sol) e também foi vivida de forma afetiva (Vênus no final da casa oito). Urano, o planeta dos acontecimentos súbitos e dos acidentes, também está envolvido com essa configuração e a morte de Kennedy foi um grande choque coletivo.

Kennedy passou para a posteridade como o presidente namorador (um tributo do seu Ascendente em Libra), envolvido com estrelas de cinema (Netuno no Meio-do-Céu) e cuja carreira, cuidadosamente planejada por seu pai e por ele mesmo, foi tragicamente interrompida. Seu mapa revela uma inegável vocação política, com muitos planetas na casa oito (casa do poder) e o regente da casa dez na casa onze (sua atuação pública). Um fato que chama a atenção é que Kennedy tem Plutão sem realizar aspectos, a não ser uma conjunção com o Nodo Sul. O Nodo Sul tem um significado de passado e Kennedy nasceu em uma família que acumulou poder. Como Plutão não faz aspectos no mapa de Kennedy, esta energia ficava solta no mapa de Kennedy. É possível que ele desconhecesse a extensão do seu poder e também o caminho percorrido por sua família (Nodo Sul) para chegar até ele. Por isto, não é de todo impossível que a hipótese de que seu assassinato (Plutão, morte, fim) tenha vindo de um esquema maior (Plutão na casa nove), ao invés de ter sido um evento isolado.

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