Um Olhar sobre o Mapa do Rio

Por

Se o mapa de um indivíduo já é rico e cheio de nuances, que dirá o de uma cidade. Neste artigo, não se pretende falar ‘tudo sobre o Rio’, o que seria impossível, e sim, abordar algumas características desta que é uma das cidades mais importantes do Brasil.

Entre a África, a França e Portugal

O Brasil é um país de muitas etnias. O povo brasileiro é descendente de índios, portugueses, africanos, franceses, italianos, japoneses, alemães, poloneses, etc. Algumas etnias se concentrarem mais em determinadas regiões, como os japoneses no interior do Paraná e em São Paulo, alemães mais para o Sul do Brasil. O Rio de Janeiro, assim como Salvador, tem uma mistura maior de descendentes de portugueses e africanos. Franceses também ocuparam o Rio entre 1555 e 1567, e mais tarde, no auge da cultura francesa, muitas moças de espetáculo aportaram na cidade, marcando-a, além do ‘r’ aspirado, com um viés cosmopolita que nunca mais a deixaria. Já a herança portuguesa é visível na arquitetura, na culinária, no sotaque (na pronúncia dos esses, que se verifica também em Santa Catarina, que recebeu imigrantes açorianos), e na própria organização da cidade, pois o Rio abrigou a Coroa Portuguesa. No mapa do Rio, o signo de Peixes, associado a Portugal, aparece no Meio-do-Céu. O Meio-do-Céu tem a ver com quem foi o pai/mãe, seja de um indivíduo ou cidade, e Portugal cumpriu este papel para o Rio e para o Brasil. A ele o filho muitas vezes reagiu com graça, provocação verbal e caricaturas, que é a forma de Gêmeos no Ascendente responder. Com seu Ascendente em Gêmeos, o Rio sempre foi terra de caricaturistas, comentaristas, piadistas, cronistas e colunistas.

O Meio-do-Céu também contém o Sol, planeta ligado à centralização do poder, e o Rio foi capital do vice-reino a partir de 1763, e sede do governo português a partir de 1808. Entre 1889 e 1960, foi capital da república. Há uma evidente vocação para o destaque no mapa do Rio de Janeiro. A cidade foi e é um centro difusor de cultura, produzindo músicos, artistas e movimentos, algo bem condizente com um Sol pisciano no ponto mais alto de um mapa, que é o Meio-do-Céu. Atualmente, enquanto ainda é um centro difusor de cultura, a cidade mais conhecida do Brasil no exterior infelizmente vem se destacando também pela criminalidade. É a “capital do tráfico”, embora não se possa dizer que ele não tenha raízes fincadas em outros lugares e não tenha seus chefões em outra cidade importantíssima do Brasil, São Paulo. Entretanto, no Rio, o tráfico disputa a supremacia com o governo, tendo atitudes coletivas mais ousadas, como tiroteios em vias importantes como a Linha Amarela e a Avenida Brasil, misturando-se com o jogo do bicho, estando por detrás do Carnaval, dos transportes coletivos e também do comércio ambulante. Parece que este Sol destacado no Meio-do-Céu conseguiria abrandar esta expressão se pudesse exercer com mais força sua vocação de liderança, como, por exemplo, quando o Rio sedia jogos ou importantes congressos internacionais, ou se torna um centro de movimentos culturais.

Cidade Maravilhosa

O Rio tem lixo, miséria, pichações em excesso em muros e monumentos, favelas, assaltantes e traficantes, flanelinhas e mendigos, ambulantes e vans cortando a cidade em alta velocidade, então como pode ser chamado de cidade maravilhosa? Acredite, mas maravilha, caos e desordem são regidas por um mesmo princípio astrológico: Peixes e seu planeta Netuno. O Rio tem quatro planetas em Peixes, além do já citado Meio-do-Céu. Como se não bastasse, Netuno está no Ascendente do mapa. O Ascendente é a cara de qualquer coisa, seja uma pessoa, um bicho, um movimento. Com Netuno bem no Ascendente, o Rio é sempre visto através de alguma lente. Que pode distorcer negativamente, fazendo com que só se veja a desordem das favelas, os mendigos nas ruas, as drogas, o comércio sexual. Mas pode-se ficar mesmerizado com a paisagem, e com a descontração carioca, com mar e montanha para todos os lados. Netuno mistura tudo, desde o feio e o bonito até, em restaurantes de classe média, a roupa bacana e a bermuda com chinelo.

Netuno rege águas e o Rio é uma mistura singular de praias e baías recortadas, uma grande lagoa próxima da orla, completando-se com montanhas (um produto, talvez, de uma casa dez cheia, sendo que esta casa é o topo do mapa e tem analogia com tudo o que é alto, como montanhas), compondo paisagens das quais cariocas da gema e adotados às vezes custam a acreditar que estejam diante da janela de um escritório ou do vidro de um ônibus. É Netuno quem mantém muita gente aqui (apesar de tudo, o Rio tem um baixíssimo índice de emigração), tentando ignorar o medo que às vezes a cidade causa. Gente que diz: apesar de tudo daqui não saio. Feitiço de Netuno.

O Rio, porém, não é apenas maravilhoso por sua geografia. Netuno está em Gêmeos, no Ascendente, e é regido por Mercúrio em Peixes, tratando-se, portanto, de uma mútua recepção, em que os planetas estão invertidos (Peixes é regido por Netuno, e Gêmeos, por Mercúrio). Esta combinação Gêmeos/Peixes faz do Rio uma das cidades mais simpáticas do mundo. O povo carioca é, a um só tempo, emotivo (Peixes) e gozador (Gêmeos), condescendente e falador. É um dos lugares em que as pessoas mais dão esmolas, independente das implicações sociais que isto tenha. Tudo pode-se dizer do carioca, menos que ele não seja solidário. Do lado negativo, Peixes também aparece como a vasta multidão de excluídos. Mendigos fixam ponto em frente a bancos e chegam a burlar a segurança de shoppings e supermercados. Esta combinação Gêmeos/Peixes também faz com que quem quer que se sinta carioca no coração possa se anunciar como tal e assim recebido. Basta gostar do Rio. São signos flexíveis. Quem quer ser que seja. E seja o que Deus quiser!

Entretanto, corre entre os cariocas, e entre muitos que vem de fora também, que não é tão fácil assim se fazer amizades no Rio. Diz-se que no Rio todo mundo o convida para ir a sua casa, mas ninguém dá o endereço. O clima da cidade é Gêmeos/Peixes, mas quando se fala de relações de fato temos de pensar na Lua (acolhimento) e em Vênus (sociabilidade). Embora a Lua esteja no acolhedor Peixes, encontra-se conjunta a Plutão. Plutão é o planeta associado à intimidade,  proximidade. Há que se ser mais íntimo para se fazer parte de algo (Peixes, que representa o desejo de fusão), ainda que Gêmeos no Ascendente estenda o convite informal a todos. Vênus, por sua vez, está no independente Aquário, conjunto a Marte. O Rio é uma cidade de grupos, de clubes. Mas há um detalhe: Vênus se opõe ao seletivo Saturno. É preciso de um certo tempo para se firmar uma amizade. Só depois é que virão os muitos convites (Marte, ação) de fato!

A mulher e o homem carioca

A carioca é aquela que, na década de oitenta, usava um biquíni tão exíguo que foi apelidado de fio-dental. A mulher carioca pode ter sido Chiquinha Gonzaga, a primeira maestrina que o Brasil já teve, e que rompeu com muitos preconceitos do seu tempo. Ou Leila Diniz, escandalizando o Brasil dos anos sessenta com seu vocabulário, seu barrigão exposto de grávida e sua liberdade. Pode ter sido criadora ou intelectual em um tempo em que isto não era tão comum, como a pintora Tarsila do Amaral ou a arquiteta Lota Soares. Pode ter sido Nair de Teffé, que, rica, elegante e casada com o Marechal Hermes da Fonseca, foi a primeira caricaturista mulher da imprensa brasileira. Nair recebeu Chiquinha Gonzaga no Palácio do Catete e chocou muita gente ao permitir que Chiquinha tocasse o maxixe (música considerada sensual) Corta-Jaca em um dos muitos bailes que promoveu como primeira dama. Não podemos esquecer da incentivadora das artes, Laura Alvim, que desejava ser atriz, mas que, pelas convenções da época, não podia se dar a este luxo e, então, fez da sua casa em Ipanema (hoje “A Casa de Cultura Laura Alvim”, doada por ela mesma à cidade) um ponto de encontro para artistas de vanguarda. A casa de Laura era um local de festas e a sua culta moradora tinha estilo: vestia-se de preto, pintava as unhas de vermelho e escondia parcialmente o rosto com grandes chapelões. O Rio e suas mulheres lendárias, o que talvez seja explicado pela Lua, planeta feminino, conjunta a um Meio-do-céu em Peixes, signo feminino também. Não é de se estranhar que o Rio seja conhecido por suas mulheres, sejam elas as mulatas ou as garotas de Ipanema.

A mulher carioca é Vênus em Aquário conjunto a Marte na casa nove. Uma mulher diferente (Aquário), que, muitas vezes, invade campos tipicamente masculinos (Marte). Que pode ser muito intelectualizada (casa nove), ou que inspira a intelectualidade, como a musa Helô Pinheiro para Tom Jobim. Mas, algumas vezes, também, uma mulher que paga um preço pelo seu avanço, pois Vênus encontra-se oposto a Saturno, a autoridade e aquilo que é estabelecido. Esta oposição também pode representar por vezes uma mulher com uma roupagem chocante, mas reprimida pelo sistema, como foram as “cachorras do funk”, cujas músicas têm letras que diretamente as denigriam. Segundo dados estatísticos, não são poucas as mulheres pobres cariocas vítimas de violência doméstica.

O homem carioca é também representado por Marte em Aquário. Marte conjunto a Vênus produz uma cidade em que o erotismo está sempre muito presente. Mas há um detalhe: é um erotismo aquariano. O calor da cidade faz com que roupas mais curtas e decotadas insiram-se no cotidiano sem maiores problemas. O erotismo carioca, com Saturno opondo-se a Vênus e Marte, é, muitas vezes, disfarçado. É a olhadela depois que a moça ou o moço já passou. Em uma cidade cosmopolita (dois planetas pessoais importantes na casa nove), não fica bem o canino olhar provinciano ou atirar-se aos pés da estrela da televisão. É preciso ser um pouquinho blasé, o que é bem aquariano. O homem carioca pode ser o malandro (algo bem definido por Marte em Aquário em exato trígono com Netuno no versátil Gêmeos) ou então o menino do Rio, dragão tatuado no braço (Netuno rege o mar, e, por conseqüência, os esportes marítimos, como o surf) ou simplesmente um homem que sabe conversar (signos do Ar envolvidos). Dizem por aí que onde os homens cariocas chegam provocam insegurança. Faz sentido se pensarmos em Aquário como aquele que vai transgredir um pouco a ordem, e através da sedução, do bom papo, da intimidade com as mulheres, já que Marte está conjunto a Vênus.

As ruas da cidade e o trânsito

Saturno na casa três do Rio pode representar as muitas construções que compõem as ruas, como viadutos, elevados e, até mesmo, os aterramentos que tornaram possíveis importantes vias para a cidade. O Rio também tem gosto por túneis, o que talvez seja refletido pelo Sol, que rege a terceira casa (das ruas), colocado no Meio-do-Céu (o que também seria responsável pelas construções acima do nível do solo), conjunto a Plutão. Plutão rege túneis e subterrâneos. Júpiter também está na terceira casa do Rio. Este planeta representa turismo e o Rio é praticamente todo turístico, já que a casa três rege as vizinhanças. Há turismo para a Rocinha, assim como há para o Pão de Açúcar. Júpiter também é responsável pelas vias largas, mas como Saturno ocupa a mesma casa, embora sejam abundantes parece que nunca são suficientes. Para que fossem, o pesadão Saturno teria de ser convertidos em linhas de trens. Ambos os planetas da terceira casa estão em seu exílio, o que talvez esteja por detrás de o transporte não ter ainda se desenvolvido do modo como deveria.

As semelhanças com o Brasil

Tendo abrigado o centro do governo brasileiro por tantos anos, o Rio teria de possuir fortes elos com o próprio mapa do Brasil. E possui. O Ascendente do Rio encontra-se na casa quatro do mapa do Brasil. O Brasil começou (a casa quatro é a origem, o passado) em cidades como Salvador e Rio de Janeiro. A Lua e Júpiter do Brasil estão exatamente conjuntos ao Ascendente e ao Netuno do Rio. O Rio tem a cara (Ascendente) do povo brasileiro (Lua). O que acontece no Rio repercute na imagem do Brasil e no próprio país. Da mesma forma, o que quer que de importante que aconteça no Brasil gerará obrigatoriamente reflexos no Rio. Do lado negativo, se, por exemplo, uma epidemia chegar ao Brasil, com certeza o Rio será atingido, mesmo que em pequena escala. O Rio nunca está de fora do Brasil e o Brasil nunca está alheio ao Rio.

Vênus no Brasil está exatamente oposto a Vênus da cidade maravilhosa. A mulher brasileira e a carioca são uma só. A carioca é tida como representante típica da mulher brasileira. Vênus do Rio está conjunto ao Nodo Norte do Brasil: a arte do Rio (Vênus) reverbera no Brasil (Nodo Norte). O Sol do Brasil está conjunto ao Fundo-do-Céu do Rio: a Independência do Brasil foi decretada em São Paulo, mas o governo (Sol) veio se fixar no Rio.

Um outro ponto de semelhança, este negativo, é que tanto o Rio como o Brasil possuem Júpiter em exílio. Júpiter rege o turismo. O Brasil, apesar de ser um país muito rico em culturas e paisagens, recebe, proporcionalmente, muito menos visitas do que países menores e com menos atrativos. O Rio de Janeiro é, sem dúvida a cidade mais turística do Brasil (Júpiter do Brasil conjunto ao Ascendente do Rio), mas Júpiter em Virgem dá uma pista do que precisa ser feito para que o Rio incremente sua vocação turística: é preciso um pouco de ordem. É preciso sinalizar vias, deixar a cidade mais limpa, ter mais informações para os turistas, distribuir folhetos, ser mais explicadinho. E como isto é difícil para uma cidade netuniana. Com poucas exceções, os turistas são deixados ao deus dará e à exploração. É preciso que o Rio organize mais o seu departamento de turismo, inclusive contratando mão de obra especializada, para que atraia os visitantes que merece por sua beleza. O Rio também precisa ficar mais limpo, que é uma das maiores queixas dos turistas.

Rio de Janeiro: uma cidade difícil de controlar

Com três planetas exteriores em ângulos, o Rio nunca fica de fora de movimentos coletivos. Netuno no Ascendente faz com que a cidade atraia os movimentos artísticos e aqueles com motivação mais emocional. Urano na casa sete, por sua vez, representa a faceta rebelde da cidade (e, por vezes, dos que agem como inimigos dela, já que se encontra fincado no Descendente, que tanto podem ser os aliados como os inimigos). E Plutão… Bem, Plutão é o que precisa ser depurado. Plutão é quando se arrancou a força a população que morava no centro do Rio de Janeiro, obrigando-a a aboletar-se nos morros. Plutão foi a favela da Praia do Pinto que havia no lugar do Leblon e que, nos anos sessenta, desapareceu debaixo de um incêndio criminoso, dando origem a Selva de Pedra. Plutão é o fato de no Rio muita gente ter morrido nas mãos da tortura na época da Ditadura, e morrer até hoje desta maneira quando quem ocupa o poder se excede nele. Plutão é o tráfico. Netuno, Urano e Plutão em ângulos tornam o Rio difícil de ser governado. Netuno pode ser a desorganização, a invasão, as favelas ficando imensas. Urano pode ser a falta de respeito pelas regras. Carros parando em cima das calçadas, camelôs tomando conta de ruas. Abra um jornal carioca e todos os dias você verá alguém reclamando de indisciplina.

Porém, os cariocas já conheceram outra cidade, na qual era possível circular sem medo. Netuno, Urano e Plutão indicam uma cidade que não pode ficar parada, que precisa estar sempre produzindo algo, seja lá o que for! Urano está conjunto ao Nodo Norte no Rio. O Nodo Norte é o caminho do crescimento: é preciso deixar a cidade viva, sempre com adrenalina, sempre produzindo fatos novos construtivos. Hoje a adrenalina é o medo do assalto. Mas a adrenalina carioca precisa ser a criação, como um dia já foi. O Rio precisa ser centro de reunião, de agregação, como é conveniente a um Nodo Norte na casa sete. À medida que as pessoas passam a temer sair à noite e se tornam mais conservadoras, está se fugindo do esfuziante Nodo Norte do Rio, colocado no extrovertido Sagitário. O Rio precisa de espaço para produzir vanguarda e irreverência (Urano), mesmo que em um processo um tanto tenso em relação a poder instituído (Urano quadrando Plutão na casa dez). Mas é melhor isto do que a paralisia do medo, que separa as pessoas, ao invés de reuni-las, agregá-las, gerar o caldeirão de cultura e polêmica que faz do Rio de Janeiro a cidade que precisa ser, tanto para o Brasil como para os cariocas. Mas deixa estar que tudo é cíclico e o sinuoso Rio de Janeiro terá momentos melhores.

Esta cidade é mesmo assim, cheio de contrastes. São várias cidades em uma. São vários Rios. O Rio da beleza, do medo, da magia, do caos, da irreverência, da humildade dos pobres e da arrogância dos poderosos. Uma coisa se pode dizer: viver no Rio é sempre uma experiência multifacetada. Com tantos planetas em signos mutáveis (sete dos dez atuais), não existe apenas um único ângulo. Está mais para uma holografia cheia de figuras diferentes e cada carioca, nascido ou adotado, carrega este imenso painel holográfico dentro de si, com a baía de Guanabara ao fundo das muitas cenas cariocas. É por isto que não há suficientes cronistas para uma cidade tão holográfica! Eis porque esta cidade precisava ter um Ascendente em Gêmeos!

O Brasil é um país de muitas etnias. O povo brasileiro é descendente de índios, portugueses, africanos, franceses, italianos, japoneses, alemães, poloneses, etc. Algumas etnias se concentrarem mais em determinadas regiões, como os japoneses no interior do Paraná e em São Paulo, alemães mais para o Sul do Brasil. O Rio de Janeiro, assim como Salvador, tem uma mistura maior de descendentes de portugueses e africanos. Franceses também ocuparam o Rio entre 1555 e 1567, e mais tarde, no auge da cultura francesa, muitas moças de espetáculo aportaram na cidade, marcando-a, além do ‘r’ aspirado, com um viés cosmopolita que nunca mais a deixaria. Já a herança portuguesa é visível na arquitetura, na culinária, no sotaque (na pronúncia dos esses, que se verifica também em Santa Catarina, que recebeu imigrantes açorianos), e na própria organização da cidade, pois o Rio abrigou a Coroa Portuguesa. No mapa do Rio, o signo de Peixes, associado a Portugal, aparece no Meio-do-Céu. O Meio-do-Céu tem a ver com quem foi o pai/mãe, seja de um indivíduo ou cidade, e Portugal cumpriu este papel para o Rio e para o Brasil. A ele o filho muitas vezes reagiu com graça, provocação verbal e caricaturas, que é a forma de Gêmeos no Ascendente responder. Com seu Ascendente em Gêmeos, o Rio sempre foi terra de caricaturistas, comentaristas, piadistas, cronistas e colunistas.

O Meio-do-Céu também contém o Sol, planeta ligado à centralização do poder, e o Rio foi capital do vice-reino a partir de 1763, e sede do governo português a partir de 1808. Entre 1889 e 1960, foi capital da república. Há uma evidente vocação para o destaque no mapa do Rio de Janeiro. A cidade foi e é um centro difusor de cultura, produzindo músicos, artistas e movimentos, algo bem condizente com um Sol pisciano no ponto mais alto de um mapa, que é o Meio-do-Céu. Atualmente, enquanto ainda é um centro difusor de cultura, a cidade mais conhecida do Brasil no exterior infelizmente vem se destacando também pela criminalidade. É a “capital do tráfico”, embora não se possa dizer que ele não tenha raízes fincadas em outros lugares e não tenha seus chefões em outra cidade importantíssima do Brasil, São Paulo. Entretanto, no Rio, o tráfico disputa a supremacia com o governo, tendo atitudes coletivas mais ousadas, como tiroteios em vias importantes como a Linha Amarela e a Avenida Brasil, misturando-se com o jogo do bicho, estando por detrás do Carnaval, dos transportes coletivos e também do comércio ambulante. Parece que este Sol destacado no Meio-do-Céu conseguiria abrandar esta expressão se pudesse exercer com mais força sua vocação de liderança, como, por exemplo, quando o Rio sedia jogos ou importantes congressos internacionais, ou se torna um centro de movimentos culturais.

1 comentário sobre “Um Olhar sobre o Mapa do Rio”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *