A série “Dom”, o planeta Netuno e as drogas

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Netuno, o planeta da transcendência, mas também dos vícios

Escrito em 15/06/2021

Em uma semana com uma tensão entre Sol e Netuno comecei a assistir “Dom”, no Amazom Prime, de Breno Silveira. Netuno, para quem não sabe, rege várias coisas bonitas, como conexão espiritual e compaixão. Mas rege, também, álcool e drogas.

E a série, muito bem produzida, emocionante. com ótimas atuações e inspirada em fatos reais, faz refletir profundamente sobre esta questão, mostrando as trajetórias, em narrativa de tempo cruzadas, do pai policial e combatente do tráfico de drogas e do filho viciado desde os 9 anos e que se torna “o bandido gato”, loiro e de olhos azuis, que assalta casas e apartamentos de luxo no começo dos anos 2000. Pedro “Dom” Machado Lomba Neto morreu em 2005, pouco antes de completar 24 anos, em uma emboscada policial em que se recusou a se entregar.

Assaltos truculentos com granada

Na série, a ação de Dom e seus comparsas ocorre quase sempre em casas vazias, talvez como uma forma de gerar uma empatia com o personagem, que passou por 14 internações em clínicas de reabilitação. Esta humanização também é feita com um dos traficantes, que explica para o pai de Dom, quando este ainda era muito jovem, o porquê de suas ações truculentas e tenta se isentar de qualquer responsabilidade por ser a força motriz inicial do tráfico de drogas no Brasil. “Eles querem, eu forneço, e, se não fosse eu, seria outro”.

Na vida real, uma das poucas fotos de Dom na Internet mostra um rapaz de expressão bastante dura e fria, típica de bandidos do tráfico. Dom ameaçava as vítimas dos imóveis que invadia com uma granada na mão e chegou, em uma das vezes, a colocar o artefato nas mãos de uma criança, em uma tortura indizível para os familiares.

O mapa astral de Pedro Dom e a sedução a serviço do crime

O “bandido gato”, que aproveitou sua aparência caucasiana para invadir edifícios e condomínios de luxo, nasceu em 27/09/1981 com os 10 planetas concentrados em 120 graus, em um modelo de mapa chamado de “feixe”. As pessoas com mapa assim podem ter um grande magnetismo para atrair outras para aquilo que desejam, e Pedro Dom se tornou líder de um grupo de assaltantes viciados em cocaína como ele.

Chama a atenção no mapa do jovem uma concentração de 4 planetas (algo incomum!) em Libra, seu signo solar. Libra é justamente o signo da beleza e sedução, arma de Dom para passar despercebido pelos ambientes. Fora isto, tinha Mercúrio, o planeta da mente, e Vênus, regente da concentração de planetas em Libra, em Escorpião, um signo de argúcia e perspicácia.

E um muito confiante Marte em Leão em tensão com Vênus e Urano. A série mostra uma criança arteira, bem a expressão desde Marte em Leão tensionado, e, que, em um contato muito precoce com as drogas, a partir dos 9 anos, tornou-se cada vez mais incontrolável. Pedro nunca mais teve uma vida normal a partir desta idade. Sua trajetória se resumiu a uma sede insaciável por drogas.

Como não disponho do horário de nascimento, na prática não é possível saber se ele teria a Lua em Virgem ou Libra. Todavia, eu colocaria a Lua em Virgem ou, se em Libra, no início deste signo, posicionamentos que indicariam uma tensão da Lua com Netuno, aspecto em que pode haver uma vulnerabilidade a vícios, assim como qualquer ênfase de Netuno, Peixes ou da Casa 12.

Pessoas em contato precoce com drogas e álcool, como Dom, podem não saber viver uma vida fora deste constante anestesiamento e universo paralelo.

Pai que lutou a vida inteira contra o tráfico perdeu o filho para as drogas

Como o pai foi policial, a série narra o início da chegada da cocaína no Brasil e a forma como se espalhou pelas comunidades pobres do Rio de Janeiro e como o pai de Dom, Victor Lomba, atuou nisso. Segundo consta, Lomba procurou o diretor Breno Silveira quatro anos após a morte do filho e pediu para que o cineasta contasse a história dos dois. Falecido em 2018, de acordo com reportagem, Victor se arrependeu de ter trabalhado para a polícia, com a opinião de que a guerra às drogas era infundada, e que os psicotrópicos deveriam ser legalizados, tema até hoje cercado de polêmicas.

Quanto por cento do mundo está tomado por álcool e drogas?

Com incontáveis cenas de Dom e seus amigos cheirando pó, o que me veio a mente é o quanto drogas e álcool são destruidores. Será que conseguiríamos precisar o percentual da humanidade envolvido com isto? Talvez não tenhamos ideia de quantas pessoas estão afundadas nisso, e de quantas elas afundam outras com elas, do quanto de dinheiro se circula a partir disso, quantas mortes gera, violência e dor e o quanto as pessoas ficam distorcidas pelo uso de drogas e álcool.

“Dom” é exatamente sobre a distorção de um garoto de classe média de pais separados, mas que o amam (há inúmeras cenas na série de afeto entre Dom e seus pais), e que se torna um bandido articulado, preciso e violento com uma fome implacável ditada pelo vício.

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Livro de Tony Belotto que inspirou a série: https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14554
Crítica sobre o livro.

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