Rompendo a Barreira dos Sete Planetas – Parte I

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Como a descoberta dos três planetas distantes alterou a questão do Destino

Este é um artigo de astrologia avançada. Seria destinado apenas a astrólogos e estudantes, se a mudança investigada por ele não atingisse a todos nós. A Astrologia não só mudou porque passou a ser melhor praticada, com a eliminação daquelas horrendas previsões sobre doenças e infortúnios, mas também porque as pessoas mudaram. Este artigo pretende analisar por que as pessoas mudaram, quando isso aconteceu e quais são as conseqüências disso. Recomendado para todas as pessoas que tenham um profundo interesse pelo ser humano, mesmo não sendo astrólogos.

Os sete planetas

Durante séculos, a Humanidade acreditou que só havia 7 planetas (entre aspas, porque incluía uma estrela e um satélite), aqueles visíveis a olhos nu: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno. De fato, esses planetas formavam a psicologia da maioria das pessoas, especialmente porque tudo acabava em Saturno, o planeta da estrutura social e limites. Isto se refletia na própria sociedade: nascia-se em uma determinada classe social e nela se morria. A maioria das pessoas tinha rígidos papéis a cumprir, em especial na obscura Idade Média. E mesmo em culturas que até hoje são um mistério e um fascínio, como a egípcia, tudo era determinado pela posição em que se nascia. E até mesmo na liberal cultura grega ainda havia escravos.

Enfim, a liberdade e o desenvolvimento das pessoas ia até um certo ponto – e não mais. Até hoje é assombroso como se conseguia prever destinos de nações e reis. A minha opinião é que isso não é mais possível. Sim, muitos já ouviram falar de Jeane Dixon, a vidente americana que previu que Kennedy seria não só eleito, como também assassinado. Esse mesmo último destino ela previu para Martin Luther King e Mahatma Gandhi. Soube que um dia Richard Nixon seria presidente e que Marilyn Monroe morreria em circunstâncias não muito bem esclarecidas. Ela viu desastres com aviões e foguetes, e também uma série de acontecimentos políticos. Mas Jeanne também errou quando disse que a China deflagraria uma guerra mundial em 1958, que a Califórnia seria destruída em 1985 e o presidente dos Estados Unidos morreria em 1986. Nada disso aconteceu. Seria Jeane Dixon uma má vidente? Em absoluto: ela é excelente. Só seria perfeita se nada fosse passível de mudança.

A minha teoria é que o destino passou a ser passível de mudança desde a descoberta dos três planetas mais distantes. Acompanhe meu raciocínio.

Quer dizer que há um planeta depois de Saturno? Urano desafia o seu tempo.

No século XVIII, William Herschel descobriu Urano. Foi uma descoberta e tanto. Primeiro, destruiu-se o mito de a Terra ser o centro do Universo e qualquer um pode imaginar o impacto que isso teve sobre a religião. E, segundo, observava-se pela primeira vez um planeta que nunca pôde ser visto a olho nu, e isto quase duzentos anos depois do advento do telescópio. Herschel, por motivos compreensíveis, viu e preferiu calar-se. Passou a bomba para um colega russo, Lexell, que anunciou a existência do planeta.

Urano parece estar associado à Revolução Francesa e à Independência dos Estados Unidos, dois fatos que pela primeira vez trouxeram a nível mundial a questão da liberdade, ainda que na Revolução Francesa muita barbaridade tenha sido cometida em nome dos ideais da Revolução. Mas a partir desses eventos começou a surgir a idéia de as pessoas poderiam ter algum livre arbítrio, coisa que não havia antes.

Havia algo mais que os estreitos limites de Saturno: a liberdade, a ousadia de pensar diferente. Em nome dessa liberdade muitos foram para a forca, durante a Revolução francesa. Mas ainda assim ela se tornou um valor essencial, e irreversível. Urano veio para mudar.

Netuno e o imponderável

Em 1841, um estudante chamado Adams calculou que havia um planeta depois de Urano, e que no dia 1º de outubro de 1845, ele estaria no signo de Aquário. Já se suspeitava da existência de Netuno, visto que a órbita de Urano parecia estar sendo perturbada por um planeta que não era Júpiter ou Saturno. Porém, ninguém deu atenção a Adams, e, seis meses depois, um outro jovem astrônomo, o francês Le Verrier chegou à mesma conclusão que o primeiro. Le Verrier também tentou que a sua descoberta fosse reconhecida, mas isso só ocorreu cinco anos depois, quando ele enviou os resultados de sua descoberta para um astrônomo de Berlim, de nome Galle, que comprovou no telescópio o que os cálculos já apontavam. A diferença da posição real para a imaginada foi de apenas um grau. E assim, nasceu Netuno, envolto em enganos, mas comprovando a existência de uma poderosa intuição guiando as pessoas.

É curioso que Netuno tenha surgido em um século extremamente materialista, já que Netuno é um planeta espiritualizante ou que ao menos mostra que o invisível pode ser tão real quanto aquilo que é visível. Mas talvez o significado de Netuno seja esse mesmo: apesar de toda a ciência, de todos os conhecimentos, ainda há algo de imponderável, de inatingível. Parece que a ciência perdeu um pouco a sua arrogância depois que se descobriu falível. O universo se mostrou perfeito, matematicamente ajustado em muitos de seus pontos, mas surgiu a pergunta: por que não em todos? Por que não é possível saber tudo? Por que nem tudo é exato e previsível?

A religião dá um salto nesse ponto. Na mente das pessoas, elabora-se, mesmo que elas não saibam, uma explicação a mais sobre o aspecto divino. Por que a mais? Porque talvez já fosse suficiente CRER nos dogmas de uma religião, fosse ela qual fosse. Mas depois de Netuno, depois do fracasso da ciência como solução PARA TUDO, surge uma espécie de COMPROVAÇÃO de que nem tudo é e nem será mensurável. Em outras palavras, toda a Humanidade passa a ter consciência de que há algo imensurável, inatingível, infinito, que nem a melhor ciência será capaz de alcançar, a não ser em uns poucos pedaços. Outra coisa curiosa: apesar de todo o avanço material, perdura a necessidade do ser humano de buscar alguma explicação a mais, que nós podemos chamar de sentido da vida.

Plutão e a Destruição

Plutão foi descoberto na década de 30, e matou o seu descobridor, Lowell, depois de onze anos de obsessiva e exaustiva pesquisa. Explica-se: ele morreu de ataque do coração. O leitor atento já percebeu que as circunstâncias das descobertas dos planetas estão intimamente ligadas às características astrológicas do planeta. Assim, Urano causou impacto e assombro, Netuno foi descoberto depois de muita confusão e Plutão nasceu às custas da morte de seu descobridor. Isso diz algo sobre o planeta.

Depois de Plutão, a psicologia nunca mais foi a mesma. Freud plantou as primeiras sementes, seguido por Jung e por outros. Mas talvez o principal significado de Plutão seja a mais monstruosa guerra que a humanidade já viu, alguns anos após a sua descoberta. Foi quando descobrimos que tínhamos o poder de destruir. Matar pessoas em nome da guerra, dizimar judeus em campos de concentração, explodir Hiroshima e destruir a Terra. Nossa maior força convertendo-se em nossa maior fraqueza. E depois, há muito custo, renascer das cinzas, levantar nações, sem nunca conseguir ignorar as marcar que a destruição deixou nas mentes e corpos das pessoas. Talvez até na alma.

Algo mudou depois de Plutão: o poder. Sim, alguém pode mandar um míssel atingir um determinado ponto do planeta. E alguém pode responder ao míssil, também. Jamais o ser humano pré-histórico sonhou que poderia acabar com sua própria sobrevivência e lar, a Terra. E isso está ao alcance de nós, hoje. E tem conseqüências profundas sobre a psicologia de cada um. Certo, não vai ser você quem vai acionar o botão do míssil, mas um semelhante seu, um ser humano, que em última instância é você também, pode fazer isso.

A decisão e a responsabilidade é sua

Romper limites, aceitar que algo o imponderável e descobrir a amplitude do seu poder libertou o ser humano do que antes era um destino traçado. E o que era um destino traçado? A condenação a um determinado padrão de vida, casamento, opinião. Há quem discuta que isso ainda existe. Por exemplo, os escravos foram substituídos pelos pobres e miseráveis. Um miserável tem quase tanto poder de transformar sua vida quanto tinha um escravo antigamente. Mas, na minha opinião, algo mudou: o escravo resignava-se. Não havia outra vida. Era a Lei. Depois da Revolução Francesa e da Revolução Industrial (e portanto, da descoberta de Urano) por motivos que sabemos não serem altruístas, mas que enfim colaboraram para a libertação dos escravos, todas as nações escravagistas passaram a ser pressionadas. Surge na mente das pessoas a palavra Liberdade ao invés de Lei. Ela pode não ser totalmente praticada, mas está na cabeça das pessoas, ou no inconsciente coletivo, como diria Jung.

A minha tese é de que houve uma mudança substancial no ser humano, na sua mente. Nós ganhamos algo junto com a descoberta dos três planetas, e passamos a ser responsáveis por aquilo que ganhamos. Com Urano, ganhamos o questionamento, o direito de dars a nossa opinião e ser diferente. E, ao mesmo tempo em que se ampliou a liberdade individual, percebemo-nos como parte de uma coisa só. A Humanidade globalizou-se como nunca foi possível antes, somos diferentes sendo iguais.

Com Netuno, atingimos uma compreensão das limitações da mente racional. Fenômenos paranormais, que antes eram chamados de milagres, passaram a ser reconhecidos. E mesmo que não se diga, todos admitem que há uma intuição, que ela é quase diária, e que atraímos estranhas coincidências (algumas para bem e outras para mal!).

Com Plutão, ganhamos o poder, que não é bom ou mau, pois é dependente do uso que fazemos dele, tal qual a radioatividade impulsiona uma usina nuclear, gerando eletricidade e benefícios, ou deforma pessoas.

Ainda há uma espécie de destino, condicionado pela origem das pessoas, seus recursos e, mesmo, seu histórico psicológico. Mas não mais este destino é imutável ou absoluto, como um dia foi. A humanidade como um todo ganhou o poder de alterá-lo depois de cada planeta descoberto além dos sete antigos. Isso aumentou a nossa responsabilidade. Temos que ter mais ousadia (Urano), mais fé (Netuno) e sermos mais conhecedores de nosso poder destrutivo e construtivo (Plutão). Para mim, parte das previsões de Jeane Dixon e outros videntes não falharam porque essas pessoas viram mal. Estas previsões falharam (inclusive a sinistra Terceira Guerra Mundial, prevista para 1958) porque o ser humano passou a um outro estágio depois de milênios tendo apenas como referência os planetas visíveis. A descobertas dos planetas invisíveis descortinou uma nova etapa, na qual tempos responsabilidade – pelo acerto e erro – de cada um de nossos passos, seja ele individual ou coletivo.

Quanto podemos mudar de nosso destino e quanto não podemos mudar? Na minha opinião, o destino começa a mudar na mente de cada um. O estágio seguinte será tornar aquela nova idéia ou percepção realidade, mas quando a mente já mudou, o destino também já mudou, pois nada pode nos prender mais do que nossa própria mente. Se ela tem fronteiras rígidas, nosso mundo também tem fronteiras rígidas. Se ela tem um grande espaço, e é este mesmo espaço que estaremos buscando vida afora.

4 comentários sobre “Rompendo a Barreira dos Sete Planetas – Parte I”

Vanessa Tuleski, generosa e brilhante, como sempre. Parabéns!

“Rompendo a barreira dos sete planetas” é um trabalho elaborado com maestria e competência. Vivendo como vivemos em um mundo que “Quem diz que tem um olho é rei” Vanessa Tuleski se destaca como Astro analista de primeira grandeza.
Parabéns!

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